Realização é entrega radical ao presente.
Uma satisfação sutil e silenciosa de habitar a própria pele.
Com todos os espaços revelados.
As buscas terrenas são egoicas. Acreditamos nas histórias contadas de segurança, estabilidade, abundância.
Condicionados a buscar fora o que sempre esteve dentro.
Como se algo externo pudesse preencher o vazio existencial humano. Acalmar a angústia pelo que nem conhecemos.
Buscamos reconhecimento, pertencimento, aceitação, admiração, riqueza, prazeres...
Em uma grande orquestra arquitetada por quem precisa de mentes - corpos e corações, controlados.
Nada há lá fora
Além de espelhos, reflexos.
A sombra do mundo, a dor coletiva, a falta...
É a sombra de cada ser que não foi integrada.
As recusas em olhar-se com verdade. Ora por medo, ora por impossibilidade de enxergar o oculto.
De não seguir o fio no labirinto que leva cada vez mais pra dentro.
Muitas vezes não aceitar a tocha na entrada da caverna.
Desistir do mergulho por medo da falta de ar.
Somos nossa própria medicina. Curadores e curadoras da alma que nos habita e habitamos.
Remédios ensinam caminhos. Abrem ligações e fluxos interrompidas, ou mesmo nunca antes caminhadas, esquecidas.
Mas somos nós que precisamos andar a estrada. E, mais importante, aprender a andar sozinhos.
Acessar aquelas estradas apenas pela vontade, pelo que já foi ensinado e aprendido.
Pausar também é medicina. É o tempo de florescer a luz do que foi plantado, das bênçãos recebidas.
E há tantas formas de acesso ao Divino. Porque, no fim, todas as estradas levam pra Casa.
A nossa Casa. O lar que somos em nós. O que realmente faz algum sentido nesta experiência.
Há tudo e há nada lá fora.
O belo, a Natureza, a Vida... são perfumes da existência que guiam ao profundo, ao Sagrado.
Um lugar onde o que verdadeiramente importa é coração presente.
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