Nada é tão poderoso quanto a presença. Nenhuma técnica, ferramenta, terapia. Nada substitui a consciência em estado de presença, atenta. O portal sagrado que guarda os mistérios ancestrais do tempo. Todas as memórias, histórias. Cada caminho percorrido dentro e fora. O corpo é a bússola. O farol. Guia dos registros vividos e esquecidos. Que pede toque, olhar, escuta. Aglomerado de energia viva, pulsante Algumas vezes morta, reprimida, calada, escondida. Com sede de voltar a correnteza Presença é medicina O resto é abandono E abandonar-se é a dor primeira
Quem somos quando saímos do modo sobrevivência? Aquele modelo aprendido para proteção, construído sobre os medos vividos quando ainda não havia recursos internos para superá-los. Ainda que fossem experiências antigas, vividas por nossas avós, a memória dizia que era preciso sobreviver. Sobreviver porque faltava vida. Faltava comida, segurança, afeto. Faltava teto, terra, água. Faltou liberdade. Faltou olhar. Foi preciso sobreviver. A violências, silenciamento, exclusões. Dores tão antigas quanto o tempo. Carregadas através das gerações. Em nós, em outros corpos, mas as mesmas. Seguimos lutando por sobrevivência. Desequilíbrios, escassez, faltas de todo tipo. De segurança, afeto, alimento - para todos os corpos. Aquele 'algo' lá no fundo que diz. Não há o suficiente. Porque em algum tempo, algo essencial faltou. E quem sobrevive, apenas, não celebra. Não comemora. Não vibra. O modo sobrevivência não permite alegria. Não permite contentamento. Não gera abundâ...